Um triste episódio marcou Campina Grande no ano passado, quando um reservatório de água no bairro da Prata se rompeu, resultando na morte de uma idosa e na destruição de várias casas. Em resposta a essa tragédia, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) decidiu agir e entrou com uma ação civil pública, na qual solicita uma auditoria técnica em 22 reservatórios da cidade. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (22).
Nesta ação, o MP também exige a elaboração de um plano de intervenção que priorize a recuperação dos reservatórios R9, localizado em Santa Rosa, e R14, em São José da Mata. Além disso, o órgão pede medidas de proteção para os moradores que residem em áreas suscetíveis a inundações, caso novos rompimentos ocorram.
O promotor Hamilton de Souza Neves Filho, responsável pela ação, destacou que a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) realiza apenas inspeções superficiais, o que não assegura a segurança das estruturas. Ele defende a necessidade de ensaios técnicos mais rigorosos, conforme apontado por laudos de instituições como o Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC) e a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
Além disso, o MPPB pede o bloqueio de R$ 10 milhões em contas da Cagepa para garantir que os recursos sejam utilizados na execução de obras de contenção e segurança. O órgão menciona que o rompimento do reservatório, que tinha mais de 60 anos e armazenava cerca de 2 milhões de litros de água, foi resultado de falhas estruturais e falta de manutenção adequada.
Em uma autuação anterior, a Cagepa já havia sido responsabilizada pelo rompimento, sendo acusada de descumprir normas de segurança. A companhia ainda não se pronunciou oficialmente sobre a nova ação do MPPB, mas já havia afirmado que tomará as medidas necessárias assim que for notificada.
A tragédia não apenas causou a morte de uma pessoa, mas também deixou um rastro de destruição, com três casas e estabelecimentos comerciais sendo arrastados pela força da água. O impacto foi sentido em 40 bairros de Campina Grande e nas cidades vizinhas, que enfrentaram a falta de abastecimento temporariamente.
Os desdobramentos desse caso envolvem a responsabilidade técnica das inspeções, que, segundo especialistas, deveriam ter um registro formal que identifique os profissionais encarregados. O professor de Engenharia Civil da UFCG, Marcos Simplício, enfatizou a importância desse documento para garantir a segurança nas vistorias.
A população de Campina Grande aguarda ansiosamente por soluções que evitem que tragédias como essa voltem a se repetir e que garantam a segurança de todos os cidadãos que dependem desses serviços essenciais. A luta por justiça e segurança nos reservatórios de água segue e é um assunto que merece atenção e cuidado.



