A tragédia que abalou a cidade de Patos, no Sertão da Paraíba, ganhou novos desdobramentos após a audiência de custódia dos pais suspeitos de assassinato do próprio filho, um bebê de apenas 23 dias. A juíza Venessa Moura Pereira de Cavalcante não poupou palavras ao classificar o crime como “brutal violência”, ao converter a prisão em flagrante de Marcos Gabriel Santos Pacheco e Mirelly Laila Lucena em prisão preventiva, conforme detalhes revelados nesta sexta-feira (16).
No documento, a magistrada descreve a cena que chocou os policiais militares que atenderam à ocorrência. Ela narrou que a mãe foi encontrada ensanguentada e gritando na rua, enquanto o pai, também em estado de desespero, estava nas proximidades clamando por ajuda e apontando a mãe como responsável pelos golpes fatais. Ambos, em depoimentos contraditórios, tentaram transferir a culpa um ao outro, complicando ainda mais a situação.
As investigações revelaram que o pequeno bebê sofreu 24 facadas, de acordo com a perícia do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol). O perito afirmou que a criança não morreu de imediato e agonizou antes de falecer, o que tornou o crime ainda mais horrendo. As feridas foram distribuídas pelo corpo, atingindo regiões vitais.
A Polícia Civil segue investigando a fundo o caso, buscando esclarecer a real participação de cada um dos suspeitos no ato cruel. O delegado Gilson Duarte mencionou que duas linhas de investigação estão sendo exploradas: a possibilidade de que a mãe tenha agido sozinha ou que o pai tenha colaborado no crime. Além disso, a omissão do pai na proteção do filho também está sendo avaliada.
Enquanto isso, a casa onde o crime ocorreu foi alvo de vandalismo, com vizinhos invadindo o local e queimando objetos, incluindo um colchão. A Polícia Militar foi rápida em tentar conter os ânimos, realizando rondas na área, mas a invasão aconteceu durante um intervalo das passagens das viaturas. A corporação agora busca identificar os responsáveis por essa ação que, embora não tenha comprometido as investigações, demonstra a indignação da comunidade.
O desfecho desse caso ainda é incerto, mas a dor da perda de um inocente e as circunstâncias que cercam o crime permanecerão na memória da cidade de Patos, que clama por justiça em meio a tamanha tragédia familiar.
Crédito da imagem: Reprodução/TV Sol



