quarta-feira, 28/10/2026

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Caatinga é responsável por quase 40% das reduções de gases de efeito estufa no Brasil em 2022, revela estudo da UFCG

A Caatinga, um bioma tipicamente brasileiro, teve um papel fundamental na luta contra as mudanças climáticas em 2022, sendo responsável por impressionantes 38% das remoções de gases de efeito estufa no país. Essa informação…

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A Caatinga, um bioma tipicamente brasileiro, teve um papel fundamental na luta contra as mudanças climáticas em 2022, sendo responsável por impressionantes 38% das remoções de gases de efeito estufa no país. Essa informação foi revelada por um estudo do Observatório da Caatinga e Desertificação (OCA), vinculado à Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O levantamento se baseou no inventário Clima TRACE, que monitora as emissões e remoções de gases em nível internacional.

Com a retirada de 410 milhões de toneladas de CO₂ da atmosfera no último ano, a Caatinga superou biomas tradicionais como a Mata Atlântica e o Cerrado, que removeram 320 e 240 milhões de toneladas, respectivamente. Esse dado não apenas destaca a importância ambiental do bioma, mas também abre portas para a sua participação no mercado de carbono, que deverá ser regulamentado no Brasil em 2024.

Os pesquisadores do OCA explicam que as características únicas da Caatinga favorecem a absorção de gás carbônico. Durante a fotossíntese, cerca de 60% do CO₂ absorvido é convertido em biomassa, enquanto na Amazônia esse índice gira em torno de 30%. Isso se deve à dinâmica do ecossistema, que, após períodos de seca, pode rapidamente se tornar um sumidouro de CO₂ com a chegada das chuvas, influenciando significativamente o ciclo global do carbono.

Apesar do potencial, a região ainda enfrenta desafios para se inserir no mercado de carbono. A maioria das metodologias para medição de créditos foi desenvolvida com foco em biomas úmidos, o que dificulta a adaptação às condições da Caatinga. Os pesquisadores destacam a necessidade de novas tecnologias e metodologias que reflitam a dinâmica única desse bioma, além de mecanismos que permitam que comunidades locais e pequenos produtores possam acessar a certificação de créditos de carbono.

O funcionamento do mercado de carbono envolve a geração de créditos, que são “pontos” atribuídos a projetos que reduzem ou removem gases de efeito estufa. Iniciativas como a proteção de florestas e a recuperação de áreas degradadas podem gerar esses créditos, que, uma vez certificados, podem ser comercializados. A venda destes créditos pode financiar projetos e beneficiar as comunidades envolvidas.

A participação do Estado nesse mercado também é significativa, pois a receita obtida pode ser utilizada para investimentos em serviços públicos. No entanto, os pesquisadores alertam que essa receita não deve ser vista como uma fonte estável de financiamento. É uma alternativa que pode complementar o orçamento, mas depende de variáveis como preço, demanda e regras de certificação.

Crédito da imagem: Univasf/arquivo