Entre 1877 e 1879, a Paraíba enfrentou um dos eventos climáticos mais devastadores da história, conhecido como a Grande Seca. Este fenômeno, associado ao que chamamos de ‘Super El Niño’, resultou em secas severas na região, que já lidava com um histórico de dificuldades hídricas. Agora, especialistas alertam que um evento semelhante está previsto para 2026, despertando preocupações sobre os impactos que ele poderá trazer aos paraibanos.
A Paraíba foi uma das mais afetadas, com relatos de que cerca de 500 mil pessoas perderam a vida no Nordeste devido às consequências da estiagem, que provocou não apenas a falta de água, mas também a escassez de alimentos e o surgimento de doenças. A historiadora Ana Paula Moura da Costa, mestranda pela UFPB, destaca que quase 10 mil pessoas morreram apenas na Paraíba durante os três anos da seca, evidenciando a gravidade da situação.
O cenário de 1877 foi marcado pela falta de preparação do estado para enfrentar tal calamidade. Ana Paula explica que, apesar das discussões sobre a fragilidade das estruturas da época, a capital João Pessoa não estava preparada para receber a onda de migrantes que buscavam melhores condições, resultando em um colapso social e econômico. O sertão, já afetado por crises anteriores, como a guerra civil nos EUA que prejudicou o comércio de algodão, se viu ainda mais desolado pela seca.
Os relatos da época revelam que a migração para a capital não trouxe a esperança que muitos buscavam. Com a população da cidade dobrando em pouco tempo, a infraestrutura precária resultou em condições sanitárias alarmantes. Epidemias de febres, malária e varíola se espalharam, e muitos morreram sem que seus nomes fossem sequer registrados.
A historiadora ressalta que o impacto não foi apenas econômico, mas também social, com a estigmatização dos migrantes, que eram vistos como portadores de doenças. Essa visão distorcida prejudicou ainda mais a luta pela sobrevivência em um contexto de calamidade.
Com o ‘Super El Niño’ de 2026 se aproximando, meteorologistas, como Ranyere Silva Nóbrega da UFCG, alertam que o fenômeno pode ser o mais forte já registrado. Embora a Paraíba tenha uma infraestrutura mais robusta hoje em dia, as consequências do aquecimento global e a possibilidade de secas severas ainda demandam atenção especial. Estimativas apontam que até 420 vidas podem ser perdidas no estado em decorrência das condições climáticas adversas.
Diante dessa realidade, o governo da Paraíba está se mobilizando. Um grupo de trabalho foi criado para planejar ações de prevenção e resposta aos impactos do Super El Niño na saúde pública. A ideia é que, através de um planejamento eficaz, o estado possa minimizar os danos e preparar a população para enfrentar as adversidades que estão por vir.
A história da Grande Seca serve como um alerta para todos nós, mostrando que a prevenção e a preparação são essenciais para evitar que tragédias semelhantes se repitam. A união de esforços entre o governo e a população é fundamental para garantir que a Paraíba esteja pronta para enfrentar os desafios que o futuro nos reserva.
Crédito da imagem: Acervo/TV Globo



