quarta-feira, 28/10/2026

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STJ decide pela maioria contra recurso de paraibano envolvido em caso de homicídios na Espanha

A tragédia da Chacina de Pioz, que chocou o Brasil e a Espanha em 2016, completa uma década com desdobramentos judiciais ainda sem fim. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu…

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A tragédia da Chacina de Pioz, que chocou o Brasil e a Espanha em 2016, completa uma década com desdobramentos judiciais ainda sem fim. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu recentemente que Marvin Henriques Correia, acusado de ter incentivado o primo Patrick Nogueira Gouveia a cometer os assassinatos de seus tios e primos, continuará a responder pelo caso. Apesar de um histórico de absolvição, o processo foi reaberto e ainda tem repercussões na Paraíba.

Na última sessão virtual do STJ, a defesa de Marvin tentava reverter uma decisão, mas a maioria dos ministros se posicionou contra o recurso, que pode ainda ser levado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A situação é complexa, já que o julgamento não é definitivo e os ministros podem mudar seus votos até a próxima quarta-feira, dia 28. O caso já havia sido analisado anteriormente pelo STF, que decidiu que a matéria não cabia na instância superior, levando-a de volta ao Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB).

Em agosto de 2016, a vida de uma família paraibana foi brutalmente interrompida na Espanha, quando Patrick assassinou seus tios e dois primos, uma menina de 3 anos e um menino de 1 ano. As investigações revelaram que, durante o crime, Marvin estava em contato constante com Patrick, recebendo detalhes terríveis sobre os acontecimentos. A defesa, no entanto, argumenta que ele não tinha obrigação legal de denunciar as ações do amigo e que a troca de mensagens não configura crime.

O advogado de Marvin, Sheyner Asfóra, defende que o jovem agiu impulsionado pelo medo e pela imaturidade, e não por intenções criminosas. Ele se mostra confiante de que, com a análise do processo na primeira instância, a verdade será reconhecida e seu cliente será absolvido novamente.

Por outro lado, o delegado que investigou o caso, Marcos Paulo, reafirma que Marvin teve papel ativo na incitação dos crimes, ao invés de tentar impedir o amigo. Para o delegado, a dinâmica das conversas entre os dois sugere que Marvin não apenas acompanhou as atrocidades, mas também ajudou a ocultar os vestígios.

Na Paraíba, a população acompanha com apreensão a continuidade desse caso, que ainda gera debate sobre a responsabilidade moral e legal dos envolvidos. Walfran Campos, tio das vítimas, expressa indignação com a lentidão do sistema judiciário e critica a postura de Marvin, que, segundo ele, não tomou atitudes para evitar a tragédia.

Enquanto isso, Marvin vive uma vida discreta, longe dos holofotes, mas constantemente sob o peso do passado. Mesmo após dez anos, o caso da Chacina de Pioz continua a ser um lembrete doloroso para os familiares das vítimas e um tema de discussão sobre justiça e impunidade no Brasil.